Cerveja no bar da esquina II

– Leu sobre as cinquenta meninas que morreram queimadas naquele orfanato de Boston?
– Li.
– Não foi horrível?
– Acho que foi.
– Você acha que foi?
– É.
– Não sabe?
– Se eu estivesse lá, acho que teria pesadelos o resto da vida. Mas é diferente quando a gente apenas lê sobre a coisa nos jornais.
– Não sente pena das cinquenta meninas que morreram queimadas? Elas se penduravam das janelas gritando.
– Acho que foi horrível. Mas a gente vê isso apenas como uma manchete de jornal, uma matéria de jornal. Na verdade não pensei muito nisso. Virei a página.
– Quer dizer que não sentiu nada?
– Na verdade, não.

Cerveja no bar da esquina

– De quem você gosta?
– Ninguém. Não gosto de beisebol.
– De que é que gosta?
– Boxe. Tourada.
– Tourada é cruel.
– É, tudo é cruel quando a gente perde.
– Mas o touro não tem uma chance.
– Nenhum de nós tem.

(…)

Numa fria

“O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz a gente se sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.”

. trecho de”Braçadas para o Meio do Nada”, conto de Charles Bukowski em “Numa Fria.” ~

em Misto-Quente

“Que tempos penosos foram aqueles anos – ter o desejo e a necessidade de viver, mas não a habilidade.”

Charles_Bukowski

Eu me sentia bem debaixo da mesa. Ninguém parecia saber onde eu estava. A luz do sol escorria sobre o tapete, sobre as pernas das pessoas. A luz do sol me agradava. As pernas das pessoas eram desinteressantes, diferentemente da toalha que pendia da mesa, diferentemente da perna da mesa, da luz do sol…