A história de Jeanne Calment, 122 anos

Nascida em fevereiro de 1875 em Arles, França, e falecida no dia 4 de agosto de 1997, tornou-se a pessoa mais longeva da história cuja idade pôde ser confirmada.

Afirmou que “competia com Matusalém”. E a verdade é que bateu muitos recordes à medida que envelhecia.

Morreu de causas naturais depois de uma vida prazerosa na qual não se privou de quase nada. Andou de bicicleta até os 100 anos. Viveu em sua casa até os 110, quando aceitou ir para um centro de repouso depois de provocar por acidente um pequeno incêndio em seu apartamento. Parou de fumar aos 120: tinha dificuldade de levar o cigarro à boca por causa da catarata.

Talvez um de seus segredos fosse o bom humor: “Vejo pouco, escuto mal, não posso sentir nada, mas está tudo bem”, afirmou em seu aniversário de 120 anos.

extraído do livro IKIGAI

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Ikigai

“Somos o que fazemos repetidamente. 

A excelência não é um ato, mas um hábito.”

ARISTÓTELES

 

O livro “Ikigai: Os segredos dos japoneses para uma vida longa e feliz”, escrito por Héctor Garcia e Francesc Mirales, e publicado no Brasil pela Editora Intrínseca, define o “ikigai” como sendo “a razão pela qual nos levantamos pela manhã”, ou seja, um propósito na vida. Esse ikigai seria, junto à dieta, exercício e boas ligações sociais, o segredo da longevidade e da saúde. Apesar de sua semelhança a um livro de auto-ajuda, Ikigai traz excelentes dicas para uma vida melhor. Seguem os meus trechos preferidos:

Sobre a importância de fazer coisas novas pela primeira vez:
“Uma pessoa começa a treinar o cérebro diante de uma tarefa enfrentada pela primeira vez. E parece muito difícil, mas, como ela esta aprendendo,  treinamento funciona. Na segunda vez, percebe que é mais fácil, e não mais difícil, porque a faz cada vez melhor. O efeito que isso tem sobre o estado de espirito da pessoa é fantástico. Por si só é uma transformação que não apenas afeta os resultados obtidos, mas também a percepção que ela tem de si mesma.”

Remédios japoneses para aliviar o estresse:
– tomar um banho demorado, escutando musica enquanto relaxa.
– manter a mesa de trabalho, a casa, o quarto e tudo ao redor limpo e organizado. Se perceber que esta estressado, talvez o primeiro passo seja por seu entorno em ordem.
– fazer exercício, alongamentos e respirações profundas.
– manter uma alimentação balanceada
– fazer massagem na cabeça
– praticar qualquer tipo de meditação

Dicas para combater o sedentarismo, inimigo da juventude:
– caminhar pelo menos vinte minutos por dia
– andar em vez de usar o elevador ou escadas rolantes
– participar de atividades de lazer ou sociais para não passar tempo demais diante da TV
– trocar biscoitos por frutas
– dormir apenas o necessário
– brincar com crianças ou animais de estimação
– fazer alguma atividade esportiva
– estar atento ao nosso dia a dia para trocar rotinas nocivas por outras mais positivas.

Jacob Riis e a imigração em Nova York no começo do século XX (de Ragtime)

“A esta altura da história, Jacob Riis, incansável jornalista e reformador, escreveu sobre a necessidade de moradia decente para os pobres. Viviam aglomerados numa só peça. Não possuíam sanitários. As ruas cheiravam a excremento. Crianças morriam de simples resfriados ou de leves erupções de pele. Morriam em camas improvisadas com duas cadeiras de cozinha. Morriam no chão. Muita gente acreditava que sujeira, fome e doença eram o que os imigrantes mereciam por sua degradação moral. Mas Riis acreditava em poços de ventilação. Poços de ventilação, luz e ar trariam saúde. (…) Riis desenhou mapas coloridos da população étnica de Manhattan. Cinza opaco para os judeus. Vermelho para os italianos morenos. Azul para os frugais alemães. Verde para os irlandeses. Negro para os africanos. E amarelo para os chineses, limpos como os gatos, felinos também nos traços de cruel ambição e fúria selvagem, quando despertos. E, acrescentando-se manchas coloridas para os finlandeses, os árabes, os gregos, etc., obtinha-se uma colcha doida de retalhos, gritava Riis, uma colcha doida de humanidade!” – pág 26

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O dicionário da corte de Paulo Francis (parte 2)

DROGAS

Droga é vocação, necessidade temperamental. E há tantas à venda, legalmente, de álcool a pílulas, que é ridículo proibir as outras. Olha, há gente que se destrói com drogas, mas tanto faz que sejam legais ou ilegais. Há gente que toma drogas uma vez ou outra, sem qualquer efeito maior. E há quem não goste. (FOLHA DE SÃO PAULO, 2/8/86) 

Tomei todas as drogas, nunca me viciei em nenhuma e todas me deram o maior barato. Nunca senti vontade de atrelar minha vida a uma substância, por uma falsa euforia. (FSP, 13/8/89)

 

BOB DYLAN

“O Guardian” comparou Dylan nos anos 60 a Mozart. WAAAAAL, bebe-se à beça no almoço na Inglaterra, e é à tarde que se escrevem editoriais em todo o mundo.

 

EDUCAÇÃO

Devemos ser humilhados publicamente no colégio, em nossas fraquezas. É só assim que nos fortalecemos para enfrentar as possíveis humilhações sérias da vida. Nos colégios onde estive, os bobos eram tratados de maneira grosseiríssima e jocosa pelos mais inteligentes. Não tira pedaço. Personalidades são forjadas neste tipo de fornalha, e não em fingir que a vida é um constante fuga do que nos aflige. (O ESTADO DE SÃO PAULO, 2/12/93)

da série: poesias que amo.

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Sete anos de pastor Jacob servia
por Luís Vaz de Camões 

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: — Mais servira, se não fora
Pera tão longo amor tão curta a vida!

sobre escolhas.

A culpa foi minha, chorava ela, e era verdade, não se podia negar, mas também é certo, se isso lhe serve de consolação, que se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele, pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que cá já não estaremos para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala, Será, mas este homem está morto e é preciso enterrá-lo.

página 84, Ensaio Sobre a Cegueira, Saramago.

Aos Desnamorados

Em 2007 eu publiquei no meu ~ fotolog ~ esse textinho sobre “desnamorados”. Seis anos depois, ele ainda vale. 

– 
A todos nós, eles, elas, eu, tu, vós, e quem seja mais… ou menos.

Aos desnamorados por convicção, por opção, por falta de opção, por destino, por escolha, por amor próprio, por falta de amor, por excesso dele, por descaso, pelo acaso, por conveniência ou por falta dela, por motivo nenhum, por todos os motivos, por desesperança, pela espera, por crença, por falta de fé, por tudo e por nada.

Que nosso desnamoro dure a eternidade do nosso não querer, que seja bom enquanto for, que vá quando chegar sua hora. Que não seja triste e, se for, que não seja dramático. Que não seja solidão e, se for, que não seja desespero. 

Ao nosso desnamoro, os dias de vivências compartilhadas ainda assim.
Ao nosso desnamoro em dias de desamor. 

– 

ps: Na época, eu o creditei apenas à “Cynara”. Não lembro quem é Cynara, infelizmente.

ps 2: posso dizer que 2007 foi um dos melhores anos da minha vida. Passei no vestibular, tive um semestre de férias, fui morar sozinha, comecei a faculdade, a trabalhar, a pagar minhas contas, vivi um sem fim de coisas pela primeira vez, inclusive namorar e amar, logo depois de publicar esse texto.