I’ll be your mirror

I’ll be your mirror

Reflect what you are in case you don’t know

I’ll be the wind, the rain and the sunset

The light on your door to show that you are home

When you think the night has seen your mind

That inside you’re twisted and unkind

Let me stand to show that you are blind

Please put down your hands

‘Cause I see you

I find it hard to believe

You don’t know

The beauty you are

But if you don’t, let me be your eyes

A hand in the darkness, so you wont be afraid

When you think the night has seen your mind

That inside you’re twisted and unkind

Let me stand to show that you are blind

Please put down your hands

‘Cause I see you

I’ll be your mirror

(Reflect what you are)

Velvet Underground and Nico

Sobre a gravação do álbum “Velvet Underground and Nico”

Andy Warhol:
Durante todo o tempo em que o álbum estava sendo feito ninguém parecia satisfeito com aquilo, especialmente Nico. “Quero cantar como Baawwwhhhb Deeelahhn” (Bob Dylan!), gemia ela, contrariadíssima porque não conseguia.

Lou Reed:
Andy deu uma dentro ao garantir que em nosso primeiro álbum a linguagem permanecesse intacta. Acho que Andy estava a fim de chocar, de dar uma sacudida nas pessoas e de não deixar que nos convencessem a fazer concessões. “Oh, vocês têm que ter certeza de que os palavrões serão mantidos”. Ele foi inflexível nisto. Ele não queria que fosse feita uma limpeza, e, porque ele estava lá, não foi feita. E, em consequência disso, a gente sempre soube como é ter estilo próprio.


Iggy Pop:
A primeira vez que ouvi o disco do Velvet Underground e Nico foi numa festa no campus da Universidade de Michigan. Simplesmente odiei o som. Sabe como é: “COMO É QUE ALGUÉM PODE FAZER UM ÁLBUM COM UM SOM DE MERDA DESSES? ISSO É NOJENTO! TODA ESSA GENTE ME DÁ NO SACO! GENTALHA HIPPIE FODIDA! BEATNIKS FODIDOS, SOU A FIM DE MATAR TODOS ELES! ESSE SOM É UM LIXO!”
Depois, uns seis meses mais tarde, o disco me pirou. “Oh, meu Deus! Uau! Essa é uma porra de um disco genial!”. Este discoo se tornou importantíssimo pra mim, não só por causa do que dizia e por ser tão maravilhoso, mas também porque ouvi outras pessoas que sabiam fazer uma música boa – sem serem nada boas em música. Isto me deu esperança. Foi a mesma coisa que na primeira vez que ouvi Mick Jagger cantando. Ele só consegue cantar uma nota, não tem inflexão nenhuma e só vai: “Hey, well baby, I can be oeweowww….” Toda canção é no mesmo tom invariável, e é só aquele garoto dizendo as letras. Foi o mesmo com os Velvets. O som era tão simples e ainda assim tão bom.

Saiba mais sobre o “Velvet Underground & Nico”, ou o “álbum da banana”. 

Antônio Maria

Em retrospectiva, a Copacabana dos primeiros anos 50 parece muito romântica. E, para quem a viveu, devia ser mesmo. Mas, aos olhos do jornalista Antônio Maria – que, praticamente, só a via de noite e, quase sempre, de dentro da boate -, ela também tinha um “clima sombrio de Le  jour se lève“, um antigo filme francês  com Jean Gabin (no Brasil, Trágico Amanhecer.) Para Antônio Maria, o letrista Alberto Ribeiro só a chamara de princesinha do mar e dissera que, pelas manhãs ela era a vida a cantar, porque “morava na Zona Norte e não devia estar muito bem informado”. Vista de perto, dizia Maria numa crônica da época, a noite de Copacabana era uma passarela de ” mulheres sem dono, pederastas, lésbicas, traficantes de maconha, cocainômanos e desordeiros da pior espécie”. Uau!

Talvez fosse possível morar em Copacabana e não enxergar nada daquilo, mas Antônio Maria circulava pelos lugares mais vivos do bairro, às horas mais mortas. Aliás, pagavam-no para isto. Em sua descrição, “homens urinavam tranquilamente à porta dos bares e valentões espancavam gente indefesa, a poucos metros de policiais que, em vez de intervir, palitavam os dentes e davam gargalhadas boçais”. Cada edifício tinha “uma média de cinquenta janelas”, atrás das quais se escondiam, pelas suas contas, “três casos de adultério, cinco de amor avulso, seis de casal sem bênção e apenas dois de cônjuges unidos no padre e no juiz”. Nas outras  34 janelas, parecia não estar acontecendo nada, mas “era só esperar pelos vespertinos: eles falariam de tiroteios, assassínios, roubos, desquites e suicídios”. E, como se não bastasse, faltava água.

De 1948 a 1964, Antônio Maria manteve uma popularíssima coluna em diversos jornais do Rio (Diário Carioca, O Jornal, última Hora e O Globo). No seu registro cotidiano da Zona Sul (ou de Copacabana, já que Ipanema era considerado um apêndice e havia dúvidas sobre a existência do Leblon), Maria criava uma atmosfera noir, sufocante e claustrofóbica, onde a vida amorosa era quase uma letra de tango, só que em ritmo de samba-canção. Ele devia saber o que estava dizendo porque, se você fizesse um resumo de suas músicas, sairia convencido de que ninguém amava ninguém e que, se ele morresse amanhã, não haveria quem sua falta sentisse. As pessoas eram restos de bebidas que outras jogavam fora e, se Antônio brigasse com uma mulher às três e cinco da madrugada, cinco minutos depois já seria tarde para o arrependimento. Que fossa. Pois era o que suas letras diziam.

Mas, afinal, não devia ser TÃO ruim porque o pernambucano Antônio Maria morou em  Copacabana durante quase toda sua vida no Rio. E a maior parte desse tempo ele passou dentro dos bares, boates e restaurantes entre o Leme e o Posto 6, em muitos dos quais tornou-se uma lenda. Tinha um jeitão espaçoso, engraçado e generoso, mas que também podia ser valentão, intempestivo e incoveniente – mais ainda depois do décimo uísque. Nem todos gostavam dele, mas a maioria não se atreveria a enfrentá-lo num mano a mano. Não admira: Maria ocupava 1,85m do chão ao teto e carregava uma estrutura de 130 quilos de músculos e gordura bem socados. Mas parecia ainda mais assustador por sua presença no rádio e na televisão e pela força de sua coluna, capaz de derrubar ou construir reputações – houve época em que, se ele desaprovasse um artista ou um show, podia-se mandar encomendar os lírios.

Para cunhar uma frase, Maria era um “menino grande”, às vezes precisando de umas palmadas. As quais acabou levando, mas pela mão das mulheres. Ele tinha o coração duplamente a perigo: era cardíaco até a última aorta e protagonista dramático de tremendas paixões amorosas, que relatava em música sem o menor pudor. Uma dessas paixões públicas foi por Danuza Leão, que “tomou” de Samuel Wainer, seu próprio patrão em Última Hora, e  com quem viveu, de 1960 a 1964, um caso de filme mexicano.

 

Palavras de Danuza sobre o caso:

Em 1953, acompanhou um amigo em uma visita a um preso famoso, detido por uma CPI que investigava seu jornal, a Última Hora. Era Samuel Weiner, com quem teve os filhos Deborah (a Pinky), Samuel (Samuca) e Bruno. Foram anos de noitadas sem fim e viagens incríveis, como à China de Mao Tsé-tung. “Apresentei Samuel à vida glamourosa e ele me apresentou ao poder.” O casamento tinha um rival imbatível: a Última Hora, fixação de Weiner. Aos 27 anos, exausta da ausência do marido, apaixonou-se pelo cronista e compositor Antônio Maria. “Mulato de pele clara, era gordo, muito gordo, e de bonito não tinha nada”, mas tinha o que ela queria: coração e ouvidos. “Venceu Antônio Maria, com o argumento simples (…) de que não poderia viver sem mim. E existe alguma coisa mais forte?”

Existia, sim: o amor pela liberdade. O ciúme de Antônio Maria destruiu o romance. O ano era 1964, Weiner estava exilado em Paris e foi lá que ela desembarcou com os filhos, retomando a amizade com o ex, apaixonado. “Desconfio que o mito desse amor – muito estimulado por ele – era um escudo para livrá-lo de compromissos mais sérios com as dezenas de namoradas que teve depois de mim. Grande estrategista, Samuel.”

Mais de Antonio Maria: Aqui, aqui e aqui.

João Gilberto, a maconha, e outras cositas más.

Quando João e os garotos se divorciaram e ficou esquisito que ele continuasse morando no apartamento com eles, Lúcio Alves convidou-o a passar uns tempos em seu apartamento – até que achasse outro lugar. Pelo visto, não era muito fácil, e João tendia a eternizar-se onde o acolhessem. (pág. 74)

Sobre a maconha, leiam aqui nesse post do Trabalho Sujo .

Musicalmente, os dois (João Gilberto e João Donato) exigiam tudo dos outros e um pouco mais de si mesmos, o que tornava difícil sua convivência em grupo – ninguém parecia bom o suficiente pra gravar com eles.  Mas, deste rol de exigências, não constava um enorme apego à disciplina, e isto nem sempre era muito bem compreendido pelos seus empregadores.  Com tantas afinidades, era normal que se ligassem como carne e unha naqueles primeiros e incertos  anos 50 – e que, diante dos outros, se comunicassem num incômodo código, composto mais de silêncio do que de palavrasm ligeiramente inacessível aos mortais. Isto valeu a ambos uma fama de excêntricos, da qual nunca se livraram. (pág. 77)

João ainda estava trocando os band-aids pelo fim de seu romance com Sylvinha Telles em 1953 quando conheceu Mariza, dezenove anos. Achou-a ma morena de fechar o comércio, o que não exigia grande poder de observação, e, quando lhe disseram que ela gostava de cantar, sacou mais que depressa o violão para acompanhá-la. JOão ficou tão duplamente impressionado que não resistiu à habitual pergunta, se ela não queria se tornar uma cantora de verdade. Na verdade, queria fazer dela a sua namorada, o que conseguiu, mas o falo é que também a transformou em cantora. (…) Ou seja, João fez por Marisa o que não conseguia fazer por si mesmo. (pág. 80)

A coisa começava a ficar preocupante. Àquela altura já estava há mais de um ano sem emprego, e os jingles que começaram a gravar no estúdio de Russo do Pandeiro mal davam para o bonde. Além disso, não fora para ser um cantor de jingles que ele viera da Bahia.

E que jingles! No do Toddy, por exemplo, a letra dizia:

“Eu era um garoto magricelo/Muito feio e amarelo// Toddy todo dia ele tomou / Engordou e melhorou / Forte  ficou. // As garotas agora me chamam bonitão / No esporte eu sou o campeão”

Gravou outros até piores, mas aquele foi o que mais o fez sofrer, porque, até então, ele gostava de Toddy. (pg. 81)

Duas coisas prendiam João á casa do amigo Clóvis Santos: o diabólico ensopado de quiabo que sua mulher, Iola, preparava quase diariamente, a seu pedido, e a mudinha de maconha que ele plantara num vasinho e que gostava de ver crescer. Mariza, que o acompanhava à casa de Clóvis, não sabia o que era aquilo e se encantava com o súbito interesse do seu namorado por botânica. (pág. 81)

Ao contrário do que se pensa, João Gilberto nunca chegou a ser um membro dos Quitandinha Serenaders. Mas andava tanto com eles que era como se fosse. (pág. 85)

A guerra dos conjuntos vocais

João Gilberto desceu sozinho a escadinha do DC-3, no Galeão, tomou um táxi e subiu ao sexto andar da Rádio Tupi, na Av. Venezuela. Nunca tinha ido ao Rio, mas a cidade não o assustou. Trazia o violão dentro da capa e estava chegando para vencer. Sua entrada no estúdio, onde o esperavam os Garotos da Lua, foi perto de triunfal. Eles lhe pediram que mostrasse alguma coisa. João desencapou o violão e cantou “Sinceridade”, uma canção dos Cariocas. (E por que não cantou uma dos Garotos da Lua? Porque não conhecia nenhuma.)

Não se tratava de um teste, porque já viera contratado. Os outros é que estavam roxos de curiosidade, para ver se ele era mesmo aquela maravilha de que Alvinho falava. Eles acharam que era. Falava baixinho, com um terrível sotaque baiano, e não era grande coisa no violão, mas, quando cantava, podia ser Orlando e Lucio ao mesmo tempo. Ou seja, João Gilberto prometia-lhes o melhor dos dois mundos.

Nem a presença de Dircina o embaraçou. Cantou com a segurança de um veterano e ela saiu dali anunciando que os Garotos da Lua tinham descoberto um estouro de crooner. E estes sentiram que, agora, suas possibilidades cresciam no campeonato dos conjuntos vocais cariocas. (pág. 67-68)

Garotos da Lua com João Gilberto

Quer ouvir? Clica aqui!!!

Bem, um ano e meio depois de ter entrado para os Garotos da Lua, já ficara mais do que claro qeu JOão Gilberto tinha aspirações altíssimas e que iria zarpar rapidinho para a carreira solo. Surpreendentemente, isto não tirou um minuto de sono dos seus companheiros, por dois motivos: 1) o conjunto estava preparado para sobreviver sem ele; 2) foram os Garotos da Lua que demitiram João Gilberto.  (isto porque sua participação não era lá muito assídua…) (pág. 69)

Uma coisa é certa: sua saída dos Garotos da Lua foi a última vez que ele amargou uma demissão. Foi também o seu último emprego regular na vida. (pág. 71)

TEMPO QUENTE NAS LOJAS MURRAY

Os fãs de Dick Farney ás vezes confundiam o cantor e pianista com o galã que ele também era, estimulado pelas suas calças  de flanela, as gravatas-borboleta e o seu chuca-chuca louro. Com Lúcio Alves, ninguém correria esse risco.  (pág. 51)

Dick Farney

 

 

Lucio Alves

(achei os dois gatinhos, e vocês?)

Chega de Saudade, de Ruy Castro

A Bossa Nova voltou mais uma vez para ficar por toda a vida.

Vinicius de Moraes

INTRODUÇÃO: Esta é uma história da Bossa Nova e dos rapazes e moças que a fizeram, quando eles tinham entre quinze e trinta anos. (…) Os seres humanos, assim como os LPs, têm lados A e B, e houve um esforço máximo para que ambos fossem mostrados.

JUAZEIRO, 1948

Nas últimas rodas de violão sob o tamarineiro, assim que decidiu ir embora de Juazeiro, Joãozinho fazia um ar gaiato, abria os braços e, antecipando o que o esperava em Salvador, anunciava para os amigos: “Champanhe, mulheres e música, aqui vou eu!”. Mas João Gilberto sabia, desde o princípio,  que não ficaria muito tempo em Salvador, a caminho do Rio de Janeiro. (pág. 28)

OS SONS QUE SAÍAM DO PORÃO

Na sua identidade secreta de Farnésio Dutra, o carioca Dick Farney provavelmente não iria muito longe. Mas com um nome charmoso como este, dedos aveludados pelo piano da orquestra de Carlos Machado no Cassino da Urca, no tempo do jogo, e com o seu jeito casual e macio de cantar, suas chances duplicavam. Com um único disco, ele tornara a resposta nacional ás preces de uma boa parcela de brasileirinhos do pós-guerra, apaixonados pelas bandas de swing,  pelos crooners e pelos conjuntos vocais americanos. (…) Farney gravara “Copacabana” na Continental em julho de 1946, aos 25 anos. (pág. 32-33)

OBS: Não sei se essa é a gravação de 1946, infelizmente creio que não…

A notícia de que saíra um disco novo de Sinatra provocava alvoroço, embora isto não tivesse nada de novo. Estrelas como ele soltavam um disco a cada 15 dias nos EUA, já que os 78s continham apenas duas músicas. (pág. 39)

Quando Sinatra casou-se com Ava Gardner, o sucesso pareceu abandona-lo. Durante os 3 anos seguintes, até 1953, tudo que ele gravava parecia errado; seus filmes eram horríveis e ninguém gostava de vê-lo toureado por Ava com um espanhol chamado Mario Cabre. Como ser fã de um cantor que está sendo chifrado pela mulher com um toureiro – e ainda mais com aquele nome? (pág. 45)

Faço samba e amor

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã
De madrugada a gente ‘inda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna, a nossa cama reclama
Do nosso eterno espreguiçar
No colo da bem vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade. Que alarde!
Será que é tão difícil amanhecer?
Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã.

Vontade de oferecer essa música pra alguém…

Quero me sentir assim novamente.

A sensação dessa melodia, alma livre, limpa e ao mesmo tempo,

entregue.

Os livros na estante
Já não tem mais
Tanta importância
Do muito que eu li
Do pouco que eu sei
Nada me resta

A não ser
A vontade de te encontrar
E o motivo eu ja nem sei
Nem que seja só para estar
Ao teu lado só pra ler
No teu rosto
Uma mensagem de amor

A noite eu me deito
Então escuto
A mensagem no ar
Tambores runfando
Eu ja não tenho
Nada pra te dar

A não ser
A vontade de te encontrar
E o motivo eu ja nem sei
Nem que seja só para estar
Ao teu lado só pra ver
No teu rosto
Uma mensagem de amor

No céu estrelado
Eu me perco
Com os pés na terra
Vagando entre os astros
Nada me move
Nem me faz parar

A não ser
A vontade de te encontrar
E o motivo eu ja nem sei
Nem que seja só para estar
Ao teu lado só pra ler
No teu rosto
Uma mensagem de amor