ARTE
O segredo da grande arte é ser tão pessoal e estreita que, pela força do seu exclusivismo, fala com o mundo inteiro. (Folha de S. Paulo, 23/7/88)
BAKER, CHET
Outro dia vi “Let`s get lost”, um documentário sobre Chet Baker. Chet, escroto como todo drogado, mas que importa? Bastou ouvi-lo no trompete, com uma voz curiosamente andrógina e perdi a consciência de mim mesmo, como em grande música. (FSP, 7/5/89)
BEATLES
Os Beatles sabiam que estavam se vendendo para promover uma alternativa familiar à fúria mais autêntica e perigosa (para a burguesia) dos Rolling Stones. (FSP, 12/7/84)
BEBER
Bebi muitos anos. Para ficar bêbado. Não posso imaginar outra razão. O bebedor social é coisa de pequeno-burguês. (OESP, 27/1/91)
BOND, JAMES
Bond sempre foi infantil, um super-homem para presumíveis adultos. Mas só é divertido com Sean Connery. Connery deixa bastante claro que é nosso cúmplice em não levar a sério a machice imbatível de Bond e a loucura de folhetim dos vilões. Roger Moore sugere o rapaz bonzinho se fazendo de cínico. (FSP, 21/7/79)
BOSSA NOVA
Bossa Nova é a única música brasileira a ter aceitação universal. Até na URSS eu a ouvi. E é frequente em qualquer lugar civilizado no chamado Ocidente. Me dizem que no Brasil, pouca gente toca (o que inclui o rádio). A bossa nova é tida como “velha guarda”. Todo mundo tem direito a uma opinião. A opinião do mundo é que a bossa nova é a música popular brasileira não restrita ao Brasil. E não me digam que deve à americana. O que não deve? Todos mamam na música americana, exceto o sambão. E este não passa fronteiras. (FSP, 15/11/84)
Esses meninos e meninas nos alegraram e não desbancaram ninguém. Deram continuidade a uma tradição respeitável da música popular. (FSP, 15/11/90)
BRANDO, MARLON
Brando foi um dos homens mais bonitos do século. Sua beleza está registrada indelevelmente em filmes como “Espíritos Indômitos (The Men)” e “Uma rua chamada pecado (A street car named Desire)”. Brando tinha movimentos de felino. Ele sempre disse que foi o fato de lhe quebrarem o nariz, numa luta de boxe, entortando-o, que o fez ter um rosto diferente. Waaal, os traços dele são muito bons, os olhos são fundos e, claro, talento não se explica. Queimava o resto do elenco em “Espíritos Indômitos” pelo simples ato de olhar para eles. É a extraordinária capacidade de auto-introspecção de Brando e sua capacidade de projetá-la que o tornaram unicamente célebre. Ele não precisava fazer nada, apenas SER em cena. (FSP, 19/7/90)



