Dee Dee Ramone

Trechos retirados do livro “Mate-me por favor – Uma história sem censura do Punk (Volume 1)”, de Legs McNeil & Gillian McCain – editora L&PM Pocket.

(págs. 215/216)

RICHARD HELL: Dee Dee apareceu na audição que promovemos quando Verlaine e eu estávamos tentando achar um segundo guitarrista pro Television. Botamos anúncios, e pouca gente apareceu. Foi engraçado, não conseguimos ouvir mais de quatro ou cinco pessoas, e duas delas foram Chris Stein e Dee Dee Ramone. Isso foi antes de conhecermos qualquer um dos dois.

DEE DEE RAMONE: Tom Verlaine e Richard Hell eram umas pessoas calculistas, sérias, muito determinadas. Todos os outros estavam fazendo tudo ao acaso, mas eles eram diferentes. Pensei que fossem beatniks.

RICHARD HELL: A gente tentou mostrar uma canção pra Dee Dee Ramone, mas ele errou tudo. Ele só tocava acordes básicos, porque era tudo que sabia. Você só precisa de um dedo para tocar um acorde de compasso. E a gente dizia pra ele: “Ok, isso é um Mi”. E ele começava a tocar, e a gente dizia: “Mi”. E ele dizia: “Oh! Oh!”. E começava a tocar uma outra coisa. Era o quadro da dor. E a gente dizia: “Não. Não. Não, cara; Mi”.

Dee Dee olhava com aquele ar cômico e movia o dedo um pouquinho… A gente fazia que não balançando a cabeça, e ele movia um pouquinho mais… Ele era muito engraçado. Parecia um cachorrinho naquela audição. Mas enfim a gente teve que dizer: “Vai nos desculpar…”.

DEE DEE RAMONE: Fui chutado de lá porque não sabia tocar.

“53 COM TERCEIRA” (págs. 227/228)

MICK LEIGH: Lembro de estar dirigindo pela Rua 53 com a Terceira Avenida e ver Dee Dee Ramone parado lá. Ele estava com uma jaqueta de motoqueiro, de couro preto, a mesma que usaria depois na capa do primeiro álbum. Estava simplesmente parado lá, então saquei o que ele estava fazendo, porque sabia que aquele era o ponto dos michês gays. Ainda assim eu ficava meio chocado ao ver alguém que eu conhecia circulando por ali, tipo: “Puta merda, olha só, é Doug fazendo ponto. Ele está mesmo nessa”.

DEE DEE RAMONE: A canção “53rd & 3rd” fala por si. Tudo que escrevo é autobiográfico e muito real. Não sei escrever de outro jeito.

LEGS MCCNEIL: “53rd & 3rd” é uma canção deprimente. É sobre um cara parado na esquina da 53 com a Terceira tentando fazer programas com homens, mas ninguém nunca o pega. Daí, quando alguém pega, ele mata o viado pra provar que não é uma bichona.

DANNY FIELDS: Não creio que Dee Dee fosse michê em tempo integral e sei que ele era mais a fim de garotas do que de garotos. Acho que isto era muito moderno. Acho que todo mundo deveria ser capaz de trepar com todo mundo e que o gênero sexual deveria se o de menos. Neste sentido Dee Dee era muito moderno. Não acho que ele se envergonhasse de ter feito o que fez.

NOTA: Douglas Glenn Colvin, mais conhecido como Dee Dee Ramone, foi encontrado morto no sofá de sua casa em Hollywood pela sua esposa no dia 6 de junho de 2002, vítima de overdose, aos 50 anos. Dee Dee morreu onze semanas após a inclusão do grupo Ramones no Rock and Roll Hall of Fame.

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OS PERSONAGENS:

- CHRIS STEIN: Ex guitarrista solo do Blondie. Produziu Zombie Birdhouse, álbum solo de Iggy Pop.

– DANNY FIELDS: Ex-“Doidão da Firma” da Elektra Records. Ex-executivo da Atlantic Records. Ex-editor da Revista 16. Ex-colunista do SoHo Weekly Neews. Ex-empresário dos Stooges. Ex-empresário (com Steve Paul) de Jonathan Richman and the Modern Lovers. Ex-empresário (com Linda Stein) dos Ramones e de Steve Forbert. Atualmente empresaria o artista Paleface.

- DEE DEE RAMONE: Músico; compositor; ator; ex-baixista do Ramones; artista solo; ; co-estrela do filme Rock and Roll High Scholl.

– LEGS MCCNEIL: Escritor. Ex-punk de plantão da revista Punk. Ex-editor-sênior da revista Spin. Ex-editor-chefe da revista Nerve.

- MICK LEIGH: Músico. Irmão mais moço de Joey Ramone. Ex-guitarrista do Tangerine Puppets, banda de Joey Ramone. Ex-roadie dos Ramones. Ex-guitarrista do Birdland de Lester Bangs. Atualmente é vocalista e guitarrista do Stop.

- RICHARD HELL: Poeta; escritor; ator; ex-baixista e cantos dos Néon Boys, que se tornou Television; ex-cantor e baixista dos Heartbreakers, com Johnny Thunders; ex-vocalista e baixista do Richard Hell and the Voidoids; estrela do filme Geração Punk (Blank Generation); co-estrelou Smithreens, primeiro filme de Susan Seidelman, e fez o papel de namorado de Madonna em Procura-se Susan Desesperadamente (Desperately Seekig Susan); autor do romance Go Now.

- TOM VERLAINE: Músico; ex-colega de escola de Richard Hell; ex-guitarrista e vocalista do Television; artista solo.

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Rayuela, pagina 596

Essas metaforas tranquilizadoras, essa velha tristeza satisfeita de voltar a ser o de sempre, de continuar, de se manter flutuando contra o vento e a maré, contra o chamado e a queda.

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I’ll be your mirror

I’ll be your mirror

Reflect what you are in case you don’t know

I’ll be the wind, the rain and the sunset

The light on your door to show that you are home

When you think the night has seen your mind

That inside you’re twisted and unkind

Let me stand to show that you are blind

Please put down your hands

‘Cause I see you

I find it hard to believe

You don’t know

The beauty you are

But if you don’t, let me be your eyes

A hand in the darkness, so you wont be afraid

When you think the night has seen your mind

That inside you’re twisted and unkind

Let me stand to show that you are blind

Please put down your hands

‘Cause I see you

I’ll be your mirror

(Reflect what you are)

Velvet Underground and Nico

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Sobre a gravação do álbum “Velvet Underground and Nico”

Andy Warhol:
Durante todo o tempo em que o álbum estava sendo feito ninguém parecia satisfeito com aquilo, especialmente Nico. “Quero cantar como Baawwwhhhb Deeelahhn” (Bob Dylan!), gemia ela, contrariadíssima porque não conseguia.

Lou Reed:
Andy deu uma dentro ao garantir que em nosso primeiro álbum a linguagem permanecesse intacta. Acho que Andy estava a fim de chocar, de dar uma sacudida nas pessoas e de não deixar que nos convencessem a fazer concessões. “Oh, vocês têm que ter certeza de que os palavrões serão mantidos”. Ele foi inflexível nisto. Ele não queria que fosse feita uma limpeza, e, porque ele estava lá, não foi feita. E, em consequência disso, a gente sempre soube como é ter estilo próprio.


Iggy Pop:
A primeira vez que ouvi o disco do Velvet Underground e Nico foi numa festa no campus da Universidade de Michigan. Simplesmente odiei o som. Sabe como é: “COMO É QUE ALGUÉM PODE FAZER UM ÁLBUM COM UM SOM DE MERDA DESSES? ISSO É NOJENTO! TODA ESSA GENTE ME DÁ NO SACO! GENTALHA HIPPIE FODIDA! BEATNIKS FODIDOS, SOU A FIM DE MATAR TODOS ELES! ESSE SOM É UM LIXO!”
Depois, uns seis meses mais tarde, o disco me pirou. “Oh, meu Deus! Uau! Essa é uma porra de um disco genial!”. Este discoo se tornou importantíssimo pra mim, não só por causa do que dizia e por ser tão maravilhoso, mas também porque ouvi outras pessoas que sabiam fazer uma música boa – sem serem nada boas em música. Isto me deu esperança. Foi a mesma coisa que na primeira vez que ouvi Mick Jagger cantando. Ele só consegue cantar uma nota, não tem inflexão nenhuma e só vai: “Hey, well baby, I can be oeweowww….” Toda canção é no mesmo tom invariável, e é só aquele garoto dizendo as letras. Foi o mesmo com os Velvets. O som era tão simples e ainda assim tão bom.

Saiba mais sobre o “Velvet Underground & Nico”, ou o “álbum da banana”. 

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O dicionário da corte de Paulo Francis (parte I)

ARTE

O segredo da grande arte é ser tão pessoal e estreita que, pela força do seu exclusivismo, fala com o mundo inteiro. (Folha de S. Paulo, 23/7/88)

BAKER, CHET

Outro dia vi “Let`s get lost”, um documentário sobre Chet Baker. Chet, escroto como todo drogado, mas que importa? Bastou ouvi-lo no trompete, com uma voz curiosamente andrógina e perdi a consciência de mim mesmo, como em grande música. (FSP, 7/5/89)

BEATLES

Os Beatles sabiam que estavam se vendendo para promover uma alternativa familiar à fúria mais autêntica e perigosa (para a burguesia) dos Rolling Stones. (FSP, 12/7/84)

BEBER

Bebi muitos anos. Para ficar bêbado. Não posso imaginar outra razão. O bebedor social é coisa de pequeno-burguês. (OESP, 27/1/91)

BOND, JAMES

Bond sempre foi infantil, um super-homem para presumíveis adultos. Mas só é divertido com Sean Connery. Connery deixa bastante claro que é nosso cúmplice em não levar a sério a machice imbatível de Bond e a loucura de folhetim dos vilões. Roger Moore sugere o rapaz bonzinho se fazendo de cínico. (FSP, 21/7/79)

Sean Connery

Roger Moore

BOSSA NOVA

Bossa Nova é a única música brasileira a ter aceitação universal. Até na URSS eu a ouvi. E é frequente em qualquer lugar civilizado no chamado Ocidente. Me dizem que no Brasil, pouca gente toca (o que inclui o rádio). A bossa nova é tida como “velha guarda”. Todo mundo tem direito a uma opinião. A opinião do mundo é que a bossa nova é a música popular brasileira não restrita ao Brasil. E não me digam que deve à americana. O que não deve? Todos mamam na música americana, exceto o sambão. E este não passa fronteiras. (FSP, 15/11/84)

Esses meninos e meninas nos alegraram e não desbancaram ninguém. Deram continuidade a uma tradição respeitável da música popular. (FSP, 15/11/90)

 

BRANDO, MARLON

Brando foi um dos homens mais bonitos do século. Sua beleza está registrada indelevelmente em filmes como “Espíritos Indômitos (The Men)” e “Uma rua chamada pecado (A street car named Desire)”. Brando tinha movimentos de felino. Ele sempre disse que foi o fato de lhe quebrarem o nariz, numa luta de boxe, entortando-o, que o fez ter um rosto diferente. Waaal, os traços dele são muito bons, os olhos são fundos e, claro, talento não se explica. Queimava o resto do elenco em “Espíritos Indômitos” pelo simples ato de olhar para eles. É a extraordinária capacidade de auto-introspecção de Brando e sua capacidade de projetá-la que o tornaram unicamente célebre. Ele não precisava fazer nada, apenas SER em cena. (FSP, 19/7/90)

...

Alguém disse... felino?

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Na cabeceira: Mate-me por favor Vol 1

Mate-me por favor. Uma história sem censura do punk

de Legs McNeil e Gillian McCain

Fonte: Vaca Tussa

Escrito por: Thiago Corrêa

Mate-me por favor é recheado de fofocas e lendas feitas a partir de depoimentos das pessoas que viveram e construíram o movimento punk. O grande mérito do livro é não apenas se basear nos relatos, mas utilizá-los, construindo um intricado jogo de vozes que se completam. É como se fosse a transcrição de um documentário. Mesmo com essa multiplicidade de narradores, as histórias se encaixam evidenciando o excelente trabalho de edição, organização e montagem. Apesar disso, não é a versão dos autores, são os próprios artistas, empresários, jornalistas e groupies que contam suas versões e segredos sobre fatos que se tornaram lendas. Tudo vindo diretamente dos bastidores do punk.

O interessante é que assim, o livro preserva o clima de camaradagem da cena, os ídolos não são vistos como ídolos, mas como pessoas que interagiam e freqüentavam os mesmo lugares de quem dá os depoimentos. É possível ver Lou Reed ou David Bowie não protegidos pela aura dos ícones que se tornaram, mas como um brothagem da galera. Um prato cheio para os fãs. As loucuras são tantas que parece haver uma disputa para ver quem é o mais pirado. Sem dúvida Iggy Pop, Dee Dee Ramone e Sid Vicious estão entre os finalistas.

Mas nem só de fofocas e histórias junkie sobrevive Mate-me por favor. Vai além dos relatos para os fãs, existe um conteúdo histórico e sociológico também, onde se explica a fúria do punk. Aborda desde a Factory de Andy Warhol e o começo do Velvet Underground, ao glam rock e início do punk com o MC5, Stooges, New York Dolls, passando por Television, Ramones, Blondie e chegando aos extremos da versão inglesa para o punk com Malcom McLaren, Sex Pistols e The Clash.

A leitura apóia-se na oralidade e segue uma fluidez que se quebra às vezes pela falta de conhecimento sobre os personagens/narradores, que são muitos e acabam se perdendo ao longo do livro. Para ajudar, no fim do livro existe um índice de apresentação dos personagens, o problema é que ele não vem em ordem alfabética.

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Comerciais marcantes dos anos 90

Uma seleção com 12 comerciais brasileiros que marcaram os Anos 90.

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Mas, se não se importava,  porque estava sempre ali no fundo do quarto, fumando ou lendo, estando (sou eu, sou ele) como se precisasse dela de alguma maneira, sim, exato, como se precisasse dela, pendurando-se nela, de longe, como num esforço desesperado para alcançar algo, ver melhor algo, ser melhor algo.

 

página 337

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Paulo Francis por Paulo Francis

Dizem que ofendo as pessoas. É um erro.

Trato as pessoas como adultas. Critico-as.

É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa.

Crítica não é raiva. É crítica.

Às vezes é estúpida. O leitor que julgue.

Acho que quem ofende os outros e os leitores é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma.

Meu tom às vezes é sarcástico. Pode ser desagradável.

Mas é, insisto, uma forma de respeito, ou, até, se quiserem, a irritação do amante rejeitado.

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Pola Paris, Pola Paris

Pola Paris, Pola Paris, a cidade despida com o sexo ao ritmo da palpitação da cortina, Pola Paris, Pola Paris, cada vez mais sua, seios repletos de surpresas, a curva do ventre exatamente recorrida pela carícia, sem o ligeiro desconcerto ao alcançar o limite, antes ou depois, boca já encontrada e definida, língua menor e mais aguda, saliva mais escassa, dentes sem gume, lábios que se abriam para que lhe tocasse as gengivas, entrasse e percorresse cada recanto tépido onde cheirava um pouco a conhaque e a fumo.

página 485, capítulo 92

 

Quando sonhamos nos é dado exercitar de graça nossa aptidão para a loucura. Suspeitamos, ao mesmo tempo, que toda loucura é um sonho que se fixa.

página 460, capítulo 80

 

Amor meu, não te amo por ti nem por mim nem pelos dois juntos, não te amo porque o sangue me faça te amar, amo-te porque tu não és minha, porque tu estás do outro lado, desse lado para onde me convidas a saltar e não posso dar o salto, porque no mais profundo de tudo tu não estás em mim, e não te alcanço, não consigo passar para lá do do seu corpo, do seu riso, há horas em que me atormento por saber que tu me amas (como gostas de usar o verbo amar, com que pretensão vais deixando cair o verbo amar sobre os pratos, os lençóis e os ônibus), atormento-me com o teu amor que não me serve de ponte, pois uma ponte não se apóia de um só lado. (…) E não me olhes com esses olhos de pássaro, para ti a operação do amor é muito fácil, tu ficarás curada antes de mim, e a verdade é que não amo aquilo que amas em mim. [E claro que tu depressa te curarás, porque vives na saúde, depois de mim será outro qualquer, isso muda como os espartilhos.

página 487, capítulo93

 

Aquilo a que muita gente chama amor consiste em escolher uma mulher e casar com ela. Escolhem, juro, já os vi. Como se se pudesse escolher no amor, como amar não fosse um raio que quebra os ossos e nos deixa paralisados no meio do pátio. Tu dirás que eles escolhem porque-a-amam; creio que é o contrário. Não se pode escolher Beatriz, não se pode escolher Julieta. Não podemos escolher a chuva que vai nos encharcar até os ossos quando saímos de algum concerto.

página 488, capítulo 93

 

Tenho medo desse proxenetismo, de tinta e de vozes, mar de línguas lambendo o cu do mundo.

página 488, capítulo 93

 

 

O jogo da Amarelinha, Júlio Cortázar

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